“Grande parte da indústria da moda é muito pouco transparente, exploradora, prejudicial para o meio ambiente e precisa urgentemente que nós – os consumidores – gritemos por mudanças. Infelizmente, as redes sociais, as bloggers de moda e o hiper-consumismo desmedido que se gerou em torno da moda, tornou-a uma indústria cada vez mais acelerada e que precisa de uma revolução.

Em Abril de 2013, o edifício Rana Plaza que alojava cinco fábricas de vestuário no Bangladesh caiu. Mais de mil pessoas morreram e mais de 2,500 ficaram feridas – a grande maioria eram jovens mulheres que faziam roupa para grandes marcas internacionais. Desde este dia, criou-se a Fashion Revolution que procura usar o poder da moda para mudar o mundo. Podem ler mais sobre isto no site da organização – FashionRevolution.org. E a premissa é simples:

Alguma vez pararam para pensar quem é que faz a roupa que vocês compram? Quanto é que essas pessoas ganham por esse trabalho? E como são as suas vidas?” 

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“As nossas roupas passam por uma longa viagem até chegarem às prateleiras das lojas a que corremos de forma compulsiva para nos sentirmos bem. Passam pelas mãos de produtores de algodão, máquinas de fiar, tecelãs, tinturas, costureiras e outras paragens até chegar até nós. Cerca de 75 milhões de pessoas trabalham para fazer as roupas que compramos nas lojas de mass-market. No entanto, a maioria das pessoas que fazem roupas para o mercado global vive na pobreza, incapaz de pagar as necessidades básicas de vida e sujeitos a abusos físicos, exploração, trabalhando em condições inseguras, sem higiene e com salários muito, muito baixos. Literalmente, nunca conseguiriam comprar um par de calças que fazem para nós.”

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“Desde Abril de 2017 que não compro roupa em lojas de “moda rápida”. Não quero com isto dizer que me tornei fundamentalista porque já disse em vários contextos que nunca o sou. Não deixei de entrar na Zara numa atitude ultra-extremista. Apenas deixei de entrar com a necessidade de comprar qualquer coisa que nem sabia muito bem o que era. Passei nos saldos para ver se havia algo que precisava (como um casaco) mas não encontrei nada de jeito. Ainda assim, comprei umas calças de ganga. Mas apenas isto e procuro, ao longo do tempo, deixar de comprar de vez. Será o meu boicote pessoal. Sozinha não consigo mudar o mundo, é certo. Mas se todos fizermos o nosso boicote pessoal e deixarmos de comprar vinte peças por mês e passarmos a comprar só três, aí sim, já estaremos a mudar o mundo.

Comprar roupas em segunda-mão e de marcas com uma posição mais feliz na indústria da moda”

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“Toda a gente sabe que tenho uma relação com a Auchan mas isso não é só porque temos um contrato comercial e em troca tenho de dizer coisas bonitas. Provavelmente o que vocês não sabem é que a Auchan criou a fundação Weave Our Future para desenvolver e melhorar as condições de vida dos trabalhadores nos países onde produzem a sua roupa e marca In Extenso. Todas as fábricas são auditadas do ponto de vista social e de qualidade e, neste momento, está a ser implementado o ponto de vista ambiental. E no futuro isto também se vai alargar aos fornecedores de tecidos, tinturarias e lavandarias. A Auchan é contra a subcontratação não declarada (como acontece, como já expliquei, nas fábricas da Zara e companhias em que uma família inteira trabalha escondida em caves) e exige saber de cada fornecedor onde é que os seus produtos estão a ser fabricados e fazem-se verificações (aleatoriamente) para averiguar estas situações. E isto é um nível de exigência e controlo que poucos  distribuidores de vestuário pedem. Podem ler mais sobre o compromisso sustentável da Auchan aqui.

Assim, quando me veem a ir ao Jumbo e a mostrar várias peças de roupa e calçado de lá não é só porque é mais barato. É porque é uma compra mais consciente e onde podem encontrar roupas de muito melhor qualidade que as lojas de “moda-rápida” (só não têm o carimbo de marca cool para o Instagram mas isso é apenas a mentalidade que tem de mudar) e até muitas peças de algodão orgânico (como esta nova coleção de básicos que está lá neste momento, mostro as t-shirts às riscas na fotografia em baixo). Actualmente, a Auchan também tem, como já partilhei várias vezes, um foco de produção portuguesa que, por enquanto, é concentrado essencialmente em interiores e calçado. Mas a ambição é mesmo a de manter a compra local a fornecedores locais (nos vários países em que a Auchan está).

Deixei de comprar malhas nas lojas de “moda-rápida” porque simplesmente não compensa. A qualidade é miserável. Tenho malhas do Jumbo desde o início da nossa relação (em 2015) que estão como novas e estão agora no seu terceiro inverno.”

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“Em conclusão: o que vos pergunto é muito simples. Porque continuamos a comprar roupa que faz tão mal ao mundo quando temos outras opções?”

Por Helena Magalhães (Jornalista, Escritoria, Digital Influencer)

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